sábado, fevereiro 2

... e, à propósito do amor e do Carnaval - de Colombinas, Arlequins e Pierrots - vai aí um trecho de Menotti Del Picchia:

Tela: Arlequim, Pierrot e Colombina - Di Cavalcanti(1922)
[...]

Ouvi, atentos, pois meu amor se compõe do amor de todos dois... Hesitante, entre vós, o coração balanço:

A Arlequim:

O teu beijo é tão quente...

A Pierrot:

O teu sonho é tão manso...

Pudesse eu repartir-me e encontrar minha calma dando a Arlequim meu corpo e a Pierrot a minh’alma! Quando tenho Arlequim, quero Pierrot tristonho, pois um dá-me o prazer, o outro dá-me o sonho!
Nessa duplicidade o amor todo se encerra: um me fala do céu... outro fala da terra!
Eu amo, porque amar é variar, e em verdade toda a razão do amor está na variedade...
Penso que morreria o desejo da gente, se Arlequim e Pierrot fossem um ser somente,
porque a história do amor pode escrever-se assim:

PIERROT
Um sonho de Pierrot...

ARLEQUIM

E um beijo de Arlequim!







mais
luz
do
que
o
sol
do
meu
céu

o
som
do
seu
sim
(Tchelo d´Barros)



Publicado no blog de Marilda Confortin




Um comentário:

Lih Figueiredo disse...

Quanta ternura nesse blog, eu amo pierrot e colombina, queria muito que o carnaval atual seguisse esse enredo...hoje se vê muita pele e pouca fantasia.
Bju querida.