sempre foi e será sempre
não poder dar amor a quem se ama
sabendo que é a água
que dá à planta o milagre da flor...”
(Thiago de Mello - Estatutos do Homem - Artigo VIII)
mais um tantinho de prosa
(Alice Ruiz e Estrela Ruiz Leminski)
Charge de Duke, cujo link consta aí ao lado em "gosto de visitar"
O amor é um grande laço, um passo pr'uma armadilha
Um lobo correndo em círculos pra alimentar a matilha
Comparo sua chegada com a fuga de uma ilha:
Tanto engorda quanto mata feito desgosto de filha
O amor é como um raio galopando em desafio
Abre fendas cobre vales, revolta as águas dos rios
Quem tentar seguir seu rastro se perderá no caminho
Na pureza de um limão ou na solidão do espinho
O amor e a agonia cerraram fogo no espaço
Brigando horas a fio, o cio vence o cansaço
E o coração de quem ama fica faltando um pedaço
Que nem a lua minguando, que nem o meu nos seus braços
moro
na tua boca,
num tremendo
arranha-céu,
adoro dançar
na tua chuva
nosso bolero
de babel.
(Múcio Góes)
Não fala de Maria
Maria lembra mar
Que lembra aquele dia
Que não é bom lembrar
Que dia, que tristeza
Que noite, que agonia
Que puxa a correnteza
E traz a maresia
E bate aquele vento
Que lembra um assobio
Que lembra um sofrimento
Que eu não merecia
Não fala não, te esconjuro
Que só de imaginar
O tempo fica escuro
E o espanto agita o mar
Que lembra aquele dia
Que lembra uma canção
Que faz lembrar Maria
E aí não lembro não
A coisa fica séria
É como um turbilhão
Fazendo uma miséria
No meu coração
Encontrei uma raridade.
Preservação de revistas antigas como O CRUZEIRO, onde Millôr tinha uma página - O Pif-Paf em: memoria viva
Você só dança com ele
E diz que é sem compromisso
É bom acabar com isso
Não sou nenhum pai-joão
Quem trouxe você fui eu
Não faça papel de louca
Prá não haver bate-boca dentro do salão
Quando toca um samba
E eu lhe tiro pra dançar
Você me diz: não, eu agora tenho par
E sai dançando com ele, alegre e feliz
Quando pára o samba
Bate palma e pede bis
Composição: Nelson Trigueiro / Geraldo Pereira
Gravação de Chico Buarque
Às vezes, fico cantarolando e repetindo uma mesma música um dia inteiro. Vira e mexe lá estou eu cantarolando a mesma canção. Hoje a música da hora foi esta: Samba Erudito de Paulo Vanzolini que Chico gravou há cinqüenta mil anos atrás.
Biblioteca da Universidade de Coimbra( 1290) Portugal
Do blog do duke
À propósito, ontem, no Toma lá, dá cá, o personagem interpretado pelo Falabela, diz lá pelas tantas: "não esqueçam que vivemos num país em que a apropriação indébita está quase fazendo parte da Constituilção".
"Enrolou um absorvente num lenço de papel e pôs na bolsa.
Foi ao banco, tirou dinheiro da caixa automática e enrolou em outro lenço de papel antes de guardar. Dez passos depois alguém lhe encostou uma coisa dura na costela e uma voz mandou entregar o dinheiro. Ela nem olhou pra trás: abriu a bolsa e tirou um embrulhinho branco.
O assaltante fugiu e ela entrou num táxi com as pernas tremendo. Só então percebeu que sem querer tinha entregue o pacote certo (para ela) e errado (para ele). Tudo é muito relativo".
Esta postagem foi feita no UMBIGO DOS SONHOS, por Adelaide Amorim que eu achei simplesmente o MÁXIMO!!!! Imaginem a surpresa do larápio...
te procuro
quando
está claro,
quando escuro,
céu repleto
ou incompleto
te procuro,
no teu samba
predileto,
num obscuro
dialeto
te procuro,
quando
te protejo,
quando
me projeto
em teu futuro,
te procuro,
capto, capturo
nesse poema
que rasuro,
e te juro:
só quando
te encontro
me curo.
(Múcio Góes)
Esta sou eu, descalça nas enxurradas, manhãs esperançadas. Esta sou eu, adolescente, indo ao colégio, olhos fixos na estrela vespertina. Esta sou eu, lendo à luz da lamparina na madrugada, olhos percorrendo páginas amarelas, passeando por poemas barrocos na companhia de estrelas foscas. Esta sou eu, espiando por entre balaustras o sobrinho do professor de francês, seus olhos verdes, sua pele jambo, na varanda da casa da esquina. Esta sou eu, na mesa do café da manhã, ouvindo a pergunta diária do pai: — teve sonhos coloridos ou em preto e branco? Dez anos, pequenina cidade de Peabiru. Quantas mentiras meus olhinhos beberam no Cine Vera? Amor passeando de lambreta rasgando ruas de Roma, a beleza exótica — Troy Donahue, a professorinha enamorada na garupa... O amor idealizado "Candelabro italiano" ... o amor se apresentou a mim: Al di la... Del sogno piu ambizoso, delle cose più belle. delle stelle del mare piu profondo, del limiti del mondo, della volta infinita... Al di la della vita. ... Esfarrapado e imundo dei de cara com ele, enfim, mendigo extraviado que implora pra ser notado. Eis o amor, despejado humilhado não vive em estrelas nem mar profundo, nem no limite do mundo, está sempre no meio do caminho pedra poema estirado cão sublime à espera de um dono franciscano que o acolha com todas as chagas e enganos.