segunda-feira, fevereiro 9

Foto: Tiago Dall'Agnol
As despedidas

Nas despedidas
O mais doloroso é que
- tanto o que fica como o que vai embora -
Poem-se os dois a pensar:
"Meu Deus! quando é que parte o raio deste trem!"




[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]

domingo, fevereiro 8

Foto: Pixdaus


Singularidade
.
duas alianças
num único dedo
nem singular
nem plural
a solidão é fractal

( J. R. Lima)

sábado, fevereiro 7

Sinto falta desta pitoca


Com sapinho ou sem ele, sinto uma falta danada da Eduarda.


sexta-feira, fevereiro 6

Presentes da semana

Meu blog recebeu mais dois selos:



Este, da amiga blogueira, Cynthia Lopes





E este, "Blog Aprovado", da amiga Lunna Montez

Obrigada, amigas!

quinta-feira, fevereiro 5

Foto: Google imagens


Ao sair pro meu exercício diário de caminhar, topei com uma cena rara. Não a cena em si. Mas o que ela me proporcionou depois. No chão, parecendo dar seus últimos suspiros, um colibri (ou beija-flor) de pernas para o ar. Em plena rua, na calçada. Cheguei a conclusão que ele, na sua pressa, pois é um pássaro ágil, inquieto e veloz, não se deu conta, ou não teve tempo de desviar seu vôo das janelas espelhadas do edifício onde penso que ele bateu e caiu tontinho.
Peguei aquela coisinha miudinha nas mãos em concha deixando apenas sua cabecinha e aquele bico enorme à mostra para que pudesse respirar. Caminhei algumas quadras com ele nas mãos tentando às vezes estimulá-lo a voar novamente. Mas ele permanecia ali, aconchegadinho, parecendo tão fragil...
Depois de abrir as mãos várias vezes, se aprumou, deu um pio de muito obrigado e voou. Rápido e ágil como se nada tivesse acontecido com ele.
Experiência única! Sensação de ter redimido metade dos pecados mundo.


quarta-feira, fevereiro 4

Os pássaros pousados na pauta dos fios do telégrafo,

Eles é que vão sucessivamente improvisando

- um após outro -

A letra e a música dos ventos...



[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]






terça-feira, fevereiro 3


me deixo afundar
em areias movediças
com a esperança
de segurar tua mão

Mary do Blog de 7 Cabeças



domingo, fevereiro 1

Coisas do Millôr



Poemeu
Inverso

Que bom
Se o ódio
E a dor
Pudessem se apagar
Com o apagador.




sábado, janeiro 31

Lua adversa

Foto: Ismail Shaleem

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida.
Fases de vir para a rua..
Perdição da minha vida!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua)

No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega este dia,
o outro desapareceu...

Cecília Meireles

sexta-feira, janeiro 30

Ainda

Foto: Pixdaus


nada de novo

e o nada
se desmanchando
em algo
velho

de novo

J. R. Lima

quarta-feira, janeiro 28

Calo



É onde somos sensíveis
Que dói
E é onde, quando acertam,
Não tem volta
É onde a gente se deforma
Se arma e se engrossa
Pra não sentir mais
É onde já fomos penugentos e ralos
É onde havia pele à mostra
Onde fomos macios e tenros
(e bobinhos!)
é assim que se formam os calos
então perdoa se sou grosseira
mas eu sou grossa
na medida em que me pisaram

(Czarina das Quinquilharias, do Blog de 7 Cabeças)

terça-feira, janeiro 27

Cantinho escondido

Dentro de cada pessoa
Tem um cantinho escondido
Decorado de saudade

Um lugar pro coração pousar
Um endereço que freqüente sem morar
Ali na esquina do sonho com a razão
No centro do peito, no largo da ilusão

Coração não tem barreira, não
Desce a ladeira, perde o freio devagar
Eu quero ver cachoeira desabar
Montanha, roleta russa, felicidade
Posso me perder pela cidade
Fazer o circo pegar fogo de verdade
Mas tenho meu canto cativo pra voltar

E posso até mudar
Mas onde quer que eu vá
O meu cantinho há de ir
Dentro


(Carlinhos Brown, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Cézar Mendes)


sábado, janeiro 24

Vale a pena postar de novo...

Foto: PIXDAUS

tenho

seis

obses-

sões

sem

rosto


inventar uma cor que não exista. nem depois de inventada

coisar a solidão para um objeto que caiba na

terceiragaveta@domeuarmario

esquecer os caminhos dos meus cemitérios

fazer uma disneylândia das desistências. com brinquedos para todas as idades

viver uma vida sem sacolas

a sexta sou eu mesmo. em meus sonhos





tenho

seis

obses-

sões

sem

rosto


e uma fotografia sua


arrudA

sexta-feira, janeiro 23

Summertime


calores
dos corpos
que suam
e se insinuam
sabores
de verão

Mary, do Blog de 7 Cabeças

quinta-feira, janeiro 15

Foto: PIXDAUS

[..]

A minha Casa é guardiã do meu corpo
E protetora de todas minhas ardências.
E transmuta em palavra
Paixão e veemência

E minha boca se faz fonte de prata
Ainda que eu grite à Casa que só existo
Para sorver a água da tua boca.

A minha Casa, Dionísio, te lamenta
E manda que eu te pergunte assim de frente:
À uma mulher que canta ensolarada
E que é sonora, múltipla, argonauta

Por que recusas amor e permanência?


Três luas, Dionísio, não te vejo.
Três luas percorro a Casa, a minha,
E entre o pátio e a figueira
Converso e passeio com meus cães

E fingindo altivez digo à minha estrela
Essa que é inteira prata, dez mil sóis
Sirius pressaga

Que Ariana pode estar sozinha
Sem Dionísio, sem riqueza ou fama
Porque há dentro dela um sol maior:

Amor que se alimenta de uma chama
Movediça e lunada, mais luzente e alta

Quando tu, Dionísio, não estás.

[...]


Hilda Hilst

quarta-feira, janeiro 14

Tela: Colombiana/1986 - Fernando Botero



Quisera eu também ser gorda e abundante.
De carnes fartas e macias...


terça-feira, janeiro 13

quando disse, na saída,
deixo meu sorriso,
disse bem,
até sorrir pra você
não vou sorrir pra mais ninguém

também disse,
o que se deixa é o que permanece
não esqueca, essa sou eu
que agora desapareceu

e se mais não disse
é que sorria
um sorriso que ficasse
para depois de ter ido
como se nunca partisse
como se tudo existisse

ah se eu soubesse
ah se você me visse

Alice Ruiz

domingo, janeiro 11

[...]

ao teu lado invento palavras
gosto dos verbos que me dás
são tuas
todas as minhas palavras nuas.



Aline

sábado, janeiro 10

Tela: La Cama/ Fernando Botero



Ah, por que me vejo vasta e inflexível
Desejando um desejo vizinhante
De uma fome irada e obsessiva?

Hilda Hilst





sexta-feira, janeiro 9

Só lá...


o que um rio sente
quando invade o mar
nem as águas sabem
até chegarem lá.

(J. R. Lima)