quinta-feira, junho 7


E nem será paixão, será o gosto
do sentir excessivo e prolongado,
o gosto da emoção, que a mim me livra
de um tédio natural e consumado.
Revejo a minha vida a cada passo:
quando a vivi realmente como minha?
Nunca soube o que quis; no entanto, sempre
era-me pouco tudo o que podia,
era-me pouco tudo o que alcançava,
para a sede na certa muito grande,
uma sede na certa inconfessada;
sede visível mais do que diamante,

e que me leva a quê? transfigurada,
e assim amar, porque é fatal que se ame.

(marly de oliveira)




2 comentários:

adelaide amorim disse...

Gosto dela de um modo especial,como se fosse muito amiga, mas nem cheguei a conhecê-la pessoalmente. Um beijo e ótima semana, Liz.

Layla disse...

Essa Marly de Oliveira e aquela Alice Ruiz, um pouco mais abaixo, adornada com Picasso, fazem da tua casa um lugar onde tenho vontade de tirar os sapatos pesados e calçar chinelos para ficar à vontade. Que bom ler coisas assim...

Um beijo grande.
Salaam
Layla