quinta-feira, março 22


Tela: Les Amoureux
(Man Ray)


Je voudrais la connaître

Savoir comment elle est

Est-elle ou non bien faite

Est-elle jolie, je voudrais

Oh je voudrais la voir

Longtemps, la regarder

Connaître son histoire

Et son décor et son passé

C'est étrange peut-être

Cette curiosité

Voir enfin pour admettre

Et pour ne plus imaginer

Oh je voudrais comprendre

Même si ça me casse

Puisqu'elle a su te prendre

Puisqu'elle a pris ma place

J'sais déjà son parfum

Aussi son écriture

Ce mot doux chiffonné

Oublié dans notre voiture

J'veux voir aussi l'hôtel

Si tu y as mis le prix

Si la chambre était belle

Et si c'était un grand lit

C'est peut-être pas normal

C'est fou comme ça m'attire

Cette envie d'avoir mal

Oh jusqu'au bout, jusqu'à mourir

Oh je voudrais tout savoir

Et son âge et sa peau

Tout ce qui nous sépare

Et nous ressemble, c'est idiot

Et te surprendre avec elle

Quand t'es drôle quand t'es doux

T'écouter lui promettre

Et quand tu lui parles de nous

Je veux te voir encore

T'observer dans la glace

Et quand tu l'embrasses

Rentrer ton ventre, oh matador

Je veux vos corps à corps

Tous ces gestes oubliés

Te retrouver encore

Tel que je t'avais tant aimé

Dans ce froid dans ces cendres

Je voudrais rester là

Juste voir et comprendre

Tout ce que je ne suis pas

Hmm... ce que je ne suis pas

Oh... ce que je ne suis pas

quarta-feira, março 21

Le mot de passe


Tela: La bata rosa

(Joaquin Sorolla Bastida)


On peut penser que d'ici là

Le monde aura changé de nom

Et que rien ne résistera

Au temps qui passe, de toute façon

On peut s'attendre à retrouver

Un peu de toi dans mes chagrins

On verra bien que j'ai pleuré

Et que j'ai tenu d'autres mains

Je serai là au temps qui passe

Au temps qui a raison de tou

Je serai là comme je suis là

Devant chez nous

Je serai là comme une trace

Sur les vestiges d'un amour fou

Je serai là comme je suis là

Le mot de passe, le mot de passe

Ce sera nous

On peut penser que tu voudras

Me raconter nos retrouvailles

Faudra-t-il alors que j'y crois

Comme j'ai cru à nos batailles

On peut passer si près de toi

Sans te toucher, sans te comprendre

Il y a ces mots qui n'auront pas

Eu la patience de t'attendre

Je serai là au temps qui passe

Au temps qui a raison de tout

Je serai là comme je suis là

Devant chez nous

Je n'ai que ça d'éternité à te confier

Ces quelques heures

Où j'aurais choisi d'arrêter

Le petits battements de mon cœur

(chanson de Patricia Kaas)



O valor das coisas
não está no tempo que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.

Por isso, existem
momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e
pessoas incomparáveis.

(Fernando Pessoa)





terça-feira, março 20



Sin tu luna
Sin tu sol
Sin tu dulce locura
Me vuelvo pequeña y menuda
La noche te sueña y se burla
Te intento abrazar y te esfumas

(La Oreja de Van Gogh)




sexta-feira, março 9


Vou-me embora pra Passárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que eu nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Passárgada

(Manoel Bandeira)

Clarividência



O poema é uma bola de cristal.
Se apenas enxergares nele o teu nariz,
não culpes o mágico.
(Mario Quintana)




quinta-feira, março 8

Fernando Pessoa



PSIQUETIPIA (OU PSICOTIPIA)

SÍMBOLOS. Tudo símbolos...
Se calhar, tudo é símbolos...
Serás tu um símbolo também?

Olho, desterrado de ti, as tuas mãos brancas
Postas, com boas maneiras inglesas, sobre a toalha da mesa.
Pessoas independentes de ti...
Olho-as: também serão símbolos?
Então todo mundo é símbolo e magia?
Se calhar é...
E porque não há de ser?

Símbolos...
Estou cansado de pensar...
Ergo finalmente os olhos para os teus olhos que me olham.
Sorris, sabendo bem que eu estava pensando...

Meu Deus! e não sabes...
Eu pensava nos símbolos...
Respondo fielmente à tua conversa por cima da mesa...
"It was very strange, wasn't it"
"Awfully strange. And how did it end?"

"Well, it didn't end. It never does, you know."
Sim, you know... Eu sei...
Sim eu sei...
É o mal dos símbolos, you know.
Yes, I know.
Conversa perfeitamente natural... Mas os símbolos?
Não tiro os olhos de tuas mãos... Quem são elas?
Meu Deus! Os símbolos... Os símbolos...





quarta-feira, março 7

Tela: Flaming June
Frederic Leighton
(pintor e escultor inglês 1830/1896)



Há dias em que escorrego
pra dentro de mim
lenta e densa
como leite condensado

E lá eu fico
enquanto dura o tempo
de minha tristeza

(Célia Maciel)



terça-feira, março 6


Il joue avec mon coeur,
Il triche avec ma vie,
Il dit des mots menteurs,
Et moi, je crois tout' c qu' il m' dit.
Les chansons qu' il me chante,
Les rêves qu'il fait pour deux,
C'est comme les bonbons menthe,
Ça fait du bien quand il pleut.
Je m' raconte des histoires,
En écoutant sa voix,
C' est pas vrai ces histoires,
Mais moi j'y crois!

Mon mec à moi
Il me parle d'aventures
Et quand elles brillent dans ces yeus
Je pourrais y passer la nuit

Il parle d'amour
Comme il parle des voitures
Et moi je le suis où il veut
Tellement je crois tout' c qu'il m'dit
Oh, oui
Mon mec à moi!

(Mon mec à moi - Patricia Kaas)






segunda-feira, março 5


Esta que ves, soy yo,
ni más, ni menos.
Una mujer, a veces una niña,
a veces espacio...
a veces infinito...
a veces libertad.
Pero así, simplemente así...
así soy yo.
Es todo lo que soy...
No es mucho... pero es todo.

(Teresa A. Uribe)


Ouvindo:
Sting - Shape of my heart




Tela:
Vênus e Cupido
(Alessandro Allori - 1535/1607)



Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

(Chico Buarque)





domingo, março 4


Ela ainda não decidiu se fura o olho da boneca


ou se cobre ela de carinhos....




sábado, março 3

Tela:
Mengin Air and sky



Que bom se eu fosse uma diva
Daquelas bem dadivosas
Que sai vida entra vida
Ficasse ali verso e prosa

Meu olhar beirando estrelas
A provocar sinfonias
Por todas as galerias
Imagens da minha história

"Me atirava do alto na certeza de que alguém segurava minhas mãos, não me deixando cair. Era lindo mas eu morria de medo. Tinha medo de tudo quase:Cinema, Parque de Diversão, de Circo, Ciganos.."

E no instante preciso
Entre o mito e o míssil
Um rito um início
De passagem pro infinito

"Aquela gente encantada que chegava e seguia. Era disso que eu tinha medo. Do que não ficava pra sempre."

(Dadivosa
Ana Carolina/Adriana Calcanhoto/Neusa Pinheiro)


sexta-feira, março 2

Um filme para ver...

Hoje vi o filme Léon, The Professional, um filme de Luc Besson, feito em 1994, com Jean Reno, Gary Oldman e Natalie Portman. A história cheia de ação (vendeta, tiros, explosões) é igual a tantas outras já mostradas em filme. A surpresa fica por conta da atuação surpreendente de Natalie Portman, na época com apenas 13 anos de idade. Quer dizer, quem é atriz, já nasce pronta. Co-mo-vente sua atuação na pele de uma menina cuja família é assassinada por causa de drogas e passa a ser protegida pelo seu vizinho Léon que é um matador profissional.
O filme é emocionante, comovente e toca o coração da gente.
Quem não viu, recomendo! Vale a pena. E ainda, de quebra, tem no final - na hora dos créditos do filme - Sting cantando Shape of my heart. Liiiindo!

Tela:
Jean Delville
Pintor belga Simbolista (1867/1953)


Hey you,
things aren't what they seem
Makes no sense at all...
(Placebo)



quinta-feira, março 1


Não tenho bens de acontecimentos.
O que não sei fazer desconto nas palavras.
Entesouro frases. Por exemplo:
- Imagens são palavras que nos faltaram.
- Poesia é a ocupação da palavra pela Imagem.
- Poesia é a ocupação da Imagem pelo Ser.
Ai frases de pensar!
Pensar é uma pedreira. Estou sendo.
Me acho em petição de lata (frase encontrada no lixo)
Concluindo: há pessoas que se compõem de atos, ruídos, retratos.
Outras de palavras.
Poetas e tontos se compõem com palavras.

(Manoel de Barros)

quarta-feira, fevereiro 28

Tela:
Music making angel
Rosso Fiorentino(1491/1540)


Sou um anjo torto
que não merece
o teu apreço de querubim.
Minha asa caída
arrasta poeira sobre o céu,
derruba nuvens,
varre estrelas,
apaga a lua.
E ainda assim
te persegue este desejo insano
de querer-me tua

(Nidia Caldas)

terça-feira, fevereiro 27


Despacio pasan las horas cuando quiero tener sueño.
Cuando es un sueño que quiero las horas pasan corriendo.
Despacio, como se mira un buen cuadro,
como brotan tus lágrimas,
como llega el frío engaño.
Despacio, como se mira un recuerdo,
como se anuncia la vida,
como se esculpen los sueños.
Despacio, despacio.

(La Oreja de Van Gogh)

Outra flor




qualquer estação
que se encerra

se estende
no mesmo caule

da flor
que se abre

no mesmo tempo
da flor
que se fecha

(André Dick)

domingo, fevereiro 25

LFV

QUASE...



"Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei decor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."

sábado, fevereiro 24




Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
 
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public
doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
 
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever; I was wrong.
 
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood,
For nothing now can ever come to any good.

FUNERAL BLUES (W. H. Auden)

(recitado no filme Quatro Casamentos e um funeral)



sexta-feira, fevereiro 23

Não importa que a tenham demolido:
A gente continua morando na velha casa
em que nasceu.

(Mario Quintana)



Adivinhar
não é o meu forte.
Caso me conhecesse,
fugiria para uma nova personalidade.

(Carpinejar)







quinta-feira, fevereiro 22


Há ilusões perdidas mas tão lindas que a gente
as vê como esses balõezinhos de cor que
nos escapam das mãos e desaparecem no céu...
(Mario Quintana)

quarta-feira, fevereiro 21


Ouvindo: Fletwood Mac
Tell me lies





sexta-feira, fevereiro 16

Ahora que ya no soy más joven

Tela:
Tarsila do Amaral por Anita Malfatti



Ahora que ya remonto la mitad del camino de mi vida,
yo que siempre me apené de las gentes mayores,
yo, que soy eterna pues he muerto cien veces, de tedio, de agonía,
y que alargo mis brazos al sol en las mañanas
y me arrullo en las noches y me canto canciones para espantar el miedo,
? que haré com el confuso y turbio río que no encuentra su mar,
con tanto día y tanto aniversario,
con tanta juventud a las espaldas,
si aún no he nacido, si aún hoy me cabe
un mundo entero en el costado isquierdo?
Que hacer ahora que ya no soy más joven
si todavia no te he conocido?

(Piedad Bonnett)

Tela:
Eloá Garcia, pintada por
Danúbio Gonçalves em 1955



Anda
tira essa dor do peito, anda
despe essa roupa preta e manda
seu corpo deslembrar

Canta
vira dor pelo avesso
Canta
larga essa vida assim as tontas
Deixa esse desenganar

Calma
Dê o tempo ao tempo, calma
alma
Põe cada coisa em seu lugar
E o dia virá, algum dia virá
Sem aviso

(Francisco Bosco / Fred Martins )

quinta-feira, fevereiro 15



Os muros gretados são muito mais belos
que os muros lisos.
(Mario Quintana)

quarta-feira, fevereiro 14

Foto:
Ilustração de Fernanda Correia Lima para o livro infantil OU ISTO OU AQUILO de Cecilia Meireles

Esto que estás oyendo
ya no soy yo,
es el eco, del eco, del eco
de un sentimiento;
su luz fugaz
alumbrando desde otro tiempo,
una hoja lejana que lleva y que trae el viento.

Yo, sin embargo,
siento que estás aquí,
desafiando las leyes del tiempo
y de la distancia.
Sutil, quizás,
tan real como una fragancia:
un brevísimo lapso de estado de gracia.

Eco, eco
ocupando de a poco el espacio
de mi abrazo hueco…..

Esto que canto ahora,
continuará
derivando latente en el éter,
eternamente….
inerte, así,
a la espera de aquel oyente
que despierte a su eco de siglos de bella durmiente..

Eco, eco
ocupando de a poco el espacio
de mi abrazo hueco…..

Esto que estás oyendo
ya no soy yo…


(ECO/Jorge Drexler)


segunda-feira, fevereiro 12






O homem é resultado de suas mulheres.
Abro a janela se escuto uma voz.
Abro uma porta se pessinto passos.
Eu me antecipo para depois me adiar.
O homem é o resultado de suas mulheres.
Tive uma manhã, não uma noite,
uma manhã como amantes casados.
Com a luminosidade intensa,
cerrei os olhos para enxergar.
Tive um pouco mais do que uma vida
em uma manhã.

(Carpinejar)

quarta-feira, fevereiro 7


Viemos de uma genealogia
que nunca dará adeus,
em nenhuma situação
ainda que da morte
ou da feroz despedida.

Não nos daremos adeus,
ainda que o fundo do tempo
martele nos joelhos
como um médico de família,
ainda que o barco vacile
e a terra se abra sem cumprimentos.

Não nos daremos adeus
por uma questão de caráter.
(Carpinejar)

Foto: by Celia Luiz, a mãe da Duda
(do jardim da Amelia Kasper, em Arroio do Meio)

terça-feira, fevereiro 6




De tudo fica o encanto
e o não querer dissipá-lo

uma distância que nos pune
e o medo que nos abarca, esse halo

farpado que nos oprime

Nada mais. Nem a cor, o perfume.
(talvez ainda um calo, um coto) .

Sobre o luar paira um manto
- um álibi encobre o crime

trevas, o sentimento morto.
De tudo fica o encanto.

(O sentimento Morto
- José Carlos Aragão em, Poemas no ônibus)

segunda-feira, fevereiro 5

Ela desatinou

Tela:
Cantante Flamenco de
Sonia Delaunay, 1916
MNBA - Buenos Aires


Ela desatinou,
viu chegar quarta-feira
acabar brincadeira,
bandeiras se desmanchando
e ela inda está sambando
Ela desatinou,
viu morrer alegrias,
rasgar fantasias
os dias sem sol raiando
e ela inda está sambando
Ela não vê que toda gente,
já está sofrendo normalmente
toda a cidade anda esquecida,
da falsa vida, da avenida
onde ela desatinou,
viu morrer alegrias,
rasgar fantasias
os dias sem sol raiando
e ela inda está sambando
Quem não inveja a infeliz, feliz
no seu mundo de cetim, assim,
debochando da dor, do pecado
do tempo perdido, do jogo acabado...

(Chico Buarque de Hollanda)

Outro tema da Confraria, mas antes, um adendo:

Depois de uma semana delirando, voando nas alturas, aterrisei. Coloquei os pés no chão. Aliás, registro aqui meus apologizes por isto. Peguei pesado. Daqui pra frente, meus delírios serão postados em outro local. Secreto e escondido. Não revelo seu endereço nem que a vaca tussa!!



De volta, então, à realidade, nada melhor que Arte para fazer com que me anime. O tema vai ser A ARTE NO CINEMA e lá me fui eu puxar os fios da minha memória cinematográfica. Lembrei de três filmes:

1) A garota do brinco de pérola (Girl with a Pearl Earring)





Aborda uma determinada época da vida do pintor holandês Jan Vermeer (1632-1675) em que Scarlett Johansson é a tal garota. Belíssima, diga-se de passagem. Estou postando a tela de Vermeer.
A de Scarlet, interpretando a própria, vocês podem ver clicando
aqui

Chegando lá, clicar no item 19.
Comparem as duas fotos. Impressionate a semelhança!


Os dois filmes seguintes, considero especiais não pelo filme em si, mas porque o tema é lembrado subliminarmente, como podem ver a seguir:


2)
The Thomas Crown Affair

Neste, o deus grego Pierce Brosnan, interpreta um milionário entediado que rouba quadros de pintores famosos. No caso, Monet. Não vou contar a história pois o objetivo aqui é outro. No final, quando ele resolve devolver o quadro roubado ao museu ele - Thomas/Pierce - se movimenta pelo cenário, fazendo uma alegoria ao trabalho de René Magritte (1898-1967), pintor belga Surrealista que dizia: "eu faço uso da pintura para tornar os pensamentos visíveis." Thomas Crown anda pelo museu vestido tal qual o tema recorrente nas telas de Magrite: vestindo terno escuro e usando chapéu-côco. Até a gravata vermelha não foi esquecida... Este personagem se multiplica pois é a maneira dele driblar a vigilância, deixando o interior do museu tomado pelos "homens de chapéu-côco" de Magritte. Quem não se interessa por arte, estes detalhes passam batidos. A menção é, portanto, subliminar.

Tela:
Le fils de l'homme de René Magritte



3) O Dragão Vermelho - (The Red Dragon)

Este filme me impressionou exatamente pela habilidade dos roteiristas ( sei lá se são eles que fazem isto) de embutirem a "fatia" arte na história. Nela, outro dos meus queridinhos - Ralpf Fiennes - interpreta o maníaco Tooth Fairy, obcecado por tatuagens e famoso por seus crimes cometidos com requintes de crueldade. É um personagem que inspira compaixão no expectador pois ele é atormentado por uma auto-estima distorcida e pretende (na sua loucura), transformar-se em um dragão. Este dragão é inspirado no Dragão Vermelho de William Blake, que é, assim, lembrado subliminarmente também...

Foto:
Fiennes, interpretando o tatuado Tooth Fairy



William Blake (1757-1827) foi um dos primeiros grandes poetas Romanticos ingleses. Foi também pintor, impressor e um dos maiores gravadores da história inglesa. Seus trabalhos poéticos foram todos ilustrados por ele mesmo e, segundo consta, sua mulher o auxiliava neste trabalho. Sua obra é impressionante: apocalíptica, assustadora e profética. Como todo grande criador, foi um gênio incompreendido na sua época. Uma voz solitária contra a marcha da ciência e da razão. Talvez por isto tenha sido considerado um lunático pelos seus contemporâneos. Mas sua obra vale a pena ser vista.

Tela:
The Red Dragon, de William Blake
(uma das versões. Existem outras, mais horripilantes...)

sexta-feira, fevereiro 2

A cura pela fala... espero que funcione!


“Não diferencio os cogumelos

venenosos dos sadios,

os inços das ervas curativas.

como descobrir

o que mata

sem morrer um pouco por vez?”

(Carpinejar)


Espanto são as coincidências da vida. Espanto é o estado de graça que muitas delas produzem na gente. Com tal intensidade que praticamente flutuamos invisíveis por horas, dias e dias e dias... Anestesiados, tentamos prolongar esta sensação que imagino só uma droga ser capaz de produzir. Quero fazer o caminho inverso de Alice no País da Maravilhas. Não quero saber de voltar e não quero tomar nenhuma direção. Quero ficar ali, escondida. egoisticamente usufruindo o Paraíso. Irreal, sei. Mas quero ficar ali, numa tentativa inútil de congelar o tempo que me chama à realidade aos berros. Volto, sim volto! Mas como diz Chico em Sabiá, volto pra fazer planos de me enganar, enganos de me encontrar, estradas de me perder, fazendo tudo e nada pra te esquecer feito um equilibrista numa corda de arame farpado.



Deixa eu voltar a ser pequena minúscula ínfima infinitamente leve me leve de volta a esse tempo de bincadeiras brinquedos besteiras me belisque e não me deixe acordar quero voltar andar prá trás dormir no colo ouvir histórias ser levada pela mão correr pra qualquer direção ter gana de crescer todo o tempo do mundo pra viver esquecer preencher sem saber como é difícil quero voltar a ser dócil fácil tátil lúdica elétrica cantar em métrica mas totalmente sem ritmo quero rir colorir colocar colecionar chorar de dor delirar com a cor descobrir um esconderijo cabra-cega não me pega tudo vale a pena.


Deixa eu voltar a ser pequena


Prometo que dessa vez trago uma mulher mais serena.


(Paula Teitelbaum em, Mundo da Lua)
Foto:
Ilustração de Fernanda Correia Dias para o livro infantil de Cecília Meireles Ou isto ou Aquil




quinta-feira, fevereiro 1



Cavalgadas

Hora dessas eu largo o freio
e laço aquele tordilho
me sento no seu arreio
e tiro ele dos trilhos.

Mas, nem que eu leve um tombo
e rasgue minhas meias finas,
ainda galopo naquele lombo
agarrada às suas crinas.

(Marilda Confortim)


Tela:
La doma
Juan Manuel Blanes

quarta-feira, janeiro 31

PESSOIX

um terço de mim delira

um terço de mim pondera

outro terço: ah! quem dera!


(Goulart Gomes )


Foto: ilustração de Fernanda Correa Dias para o livro infantil de Cecilia Meireles Ou isto ou aquilo

terça-feira, janeiro 30

Não era todo músculo

Tão pouco todo místico
Mas veio em fascículos
Revelando aos poucos
Seus sussurros roucos
Seus desejos loucos
Sua beleza crônica
Sua consciência tônica
Não era todo músculo
Tão pouco todo místico
Era Maiúsculo.

(Paula Teitelbaum, em Eu versos Eu)

Foto:
Ilustração do livro O Sensualista, de Barbara Hodgson)

Estetica

Das muitas cicatrizes,

algumas, tão bem feitas,

já são tatuagens.

(Tê Soares)


Credito da foto:
Mirka das Rosas


segunda-feira, janeiro 29

Passou por mim um arrepio

Arretado arredio e transitório
Foi embora num impulso compulsório
Correu carregando minha vontade
Deixou-me corroída de saudade
Quero novamente este tremor
Esse frio misturado com calor
A certeza de que a minha superfície
ainda solta fogos de artifício.

(Paula Teitelbaum em, Mundo da Lua)

Ela está aprendendo a folhear páginas....





















mas, às vezes pede ajuda pros pezinhos também!
:o)